Testemunhos Cycle Chic (VI)

No outro dia, após ver uma fotografia sua a andar de bicicleta, lancei o desafio à Carla Castelo para me enviar um testemunho da sua utilização da bicicleta. A resposta ao desafio não podia ter sido melhor – aqui fica o texto com que ela nos brindou:

De bicicleta é uma festa
Testemunho de uma utilizadora não diária

Uma das mais perfeitas sensações de liberdade é andar de bicicleta. O vento a bater na cara. Tudo o que nos rodeia muito presente. Os sons à volta bem audíveis. A bicicleta é uma espécie de máquina do tempo que me faz sentir sempre criança. É como voltar a pedalar a órbita da minha infância… Hoje, para mim, a bicicleta continua a ser sobretudo lazer. Companheira de campo, estradas de terra batida, de ciclovias país fora e pistas onde antes passavam comboios.

Pois. A bicicleta (ainda) não é o meu transporte diário. O percurso Caxias – Carnaxide (concelho de Oeiras), os horários de trabalho e mais uma série de pequenos-grandes entraves (onde incluo o medo de fazer alguns percursos devido à intesidade de tráfego) pesam na balança para o lado do carro.

Mas nas folgas, há dias em que dou umas voltas em meio urbano e globalmente a experiência tem sido positiva.

Este ano, pela primeira vez, fui votar de bicicleta. O convite surgiu no Facebook e pareceu-me excelente ideia. Levantei-me cedo. Gosto muito de ir votar e de fazê-lo logo de manhã. O percurso é sobretudo urbano, curto (cerca de 6 km ida e volta) e sem grande dificuldade na ida. Mas no regresso há uma subidita mais difícil. Ia na estrada calmamente, esforçando-me por manter a velocidade, quando passa um taxista em sentido contrário e atira “G’anda mulher!” Não estava à espera do piropo, sorri e agradeci-lhe. Assim é mais fácil, quando os outros utilizadores da estrada não apitam nem fazem rasantes, mas até incentivam e nos olham com simpatia.

Há 15 dias, fui até Monsanto desde o Parque Eduardo VII, e depois pedalei do Parque até ao Jardim do Arco do Cego e finalmente até à zona do Hospital Curry Cabral. São percursos curtos, muito acessíveis a qualquer pessoa. Não contei os quilómetros mas é possível fazer quase todo o trajecto em ciclovia. Porque Lisboa tem hoje dezenas de quilómetros de vias dedicadas à bicicleta.

Também já tenho ido ao Cais do Sodré desde Belém, e à Costa da Caparica. É pedalar desde o bairro onde vivo até à estação de Caxias, depois pôr a bicicleta no comboio (articulação que, por ter uma bicicleta convencional, nem sempre é fácil), sair em Belém e apanhar o barco para a Trafaria. Chegada à margem sul há uma ciclovia até à Costa. Um percurso de poucos quilómetros quase sempre plano. Fácil e agradável. Sem filas de trânsito, sem confusões. Decididamente a melhor forma de ir à praia na Caparica.

Outro dos percursos já experimentados é o de minha casa até ao Estádio Nacional, onde é possível fazer exercício ou simplesmente passear. Mas este é um dos exemplos do tanto que falta fazer no país para melhorar as condições de segurança para quem usa a bicicleta. A Estrada Marginal não é propriamente uma via onde nos sintamos seguros e a via para peões e bicicletas só começa depois da curva do Mónaco, já quase na Cruz Quebrada.

Um dos principais parques desportivos do país deveria ter vários acessos privilegiados para bicicletas (tanto desde o concelho de Oeiras, como desde Lisboa) e não ser um local onde quase só se chega de carro.

A minha próxima compra há-de ser uma bicicleta dobrável para ser mais fácil a articulação com os transportes públicos ou mesmo com o automóvel. Para pedalar cada vez mais.

Obrigado Carla, pela fotografia e pelo texto inspirador…

5 Respostas a “Testemunhos Cycle Chic (VI)

  1. o mail que está na laterl (info_at_lisboncyclechic.com) está correcto?
    é que não funciona…
    🙁

  2. Miguel diz:

    Estranho, o e-mail está a funcionar – basta substituir o _at_ pela @

  3. jorge diz:

    Fiquei estremamente encantado com a leitura. Eu diria, “GrandaMulher”. Sou amante das Bicicletas, e sinto-me solto ao vento. Agora tenho uma foldingbike, procuro utiliza-la ao maximo.

  4. bom dia

    obrigado pela resposta.
    já perecebi… foi “azelhice” minha! 🙁
    já vi que “funciona” 😉 e mandei o mail que escrevi ontem.

    um abraço!

  5. […] Foi ontem publicado na página da SIC, um artigo da autoria da Carla Castelo – “E se pedalássemos esta bicicleta?”. Jornalista deste canal de televisão (Economia Verde, Terra Alerta, etc) a Carla é das pessoas mais sérias com quem tenho tido a oportunidade de lidar nesta área – infelizmente o jornalismo em Portugal anda pelas ruas da amargura, e é bom saber que há gente neste campo a marcar a diferença (e já vão sendo alguns). E como é alguém virada para as questões do ambiente, sustentabilidade, etc, só temos a ganhar com isto. A Carla também gosta de bicicletas (só podia) e já aqui publiquei umas linhas da sua autoria. […]

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