Cycle Chic? Mas isso é o quê?

Lisbon Cycle Chic LogoO movimento Cycle Chic ® não é, nem deve ser entendido como algo elitista, mas sim como uma atitude que qualquer um pode fazer: pedalar com roupas normais, descontraidamente e sem complicações.

Vestidos casualmente para as deslocações do dia-a-dia, a bicicleta oferece-nos uma mobilidade elegante e sustentável – para melhor sentir o quotidiano urbano de Lisboa, sem perder estilo.


 

Mas é mesmo o quê?

Frequentemente, sou confrontado com esta pergunta, ou então, apenas com o preconceito de que, o movimento Cycle Chic é algo presunçoso e elistista. É talvez por culpa do termo “chic”… mas como já escrevi antes, “C’est pas chic, c’est Cycle Chic”.

Cycle Chic, é algo tão simples como gente normal, vestida normalmente, a fazer coisas normais, de bicicleta. Mikael Coleville-Anderson tem uma imagem que diz tudo:

No London Cycle Chic, abordaram a mesma questão:

“Someone asked me recently what the point of ‘cycle chic’ photos are.  “Are they chosen selectively?” they asked, “Why do you only show attractive people on bikes in their normal clothes?”, “Where are the people in lycra, and helmets, and cycling gear?”  My answer was simple.. firstly, have you seen a car advert recently?  Do you think that it shows the reality of the situation on our streets?  And secondly, if we want to make cycling appealing to the masses the last thing we need is to show cycling as something which needs special clothes, or special kit, just in order to get from A to B.”

E do outro lado do mundo, em Sidney, também:

“Surely we have all earned the right to wear whatever we like, on or off our bicycles without judgement?
Why is it that some women find it necessary to dismiss frocked up female riders as frivolous and silly because they sometimes like to wear dresses and heels while riding?
I wear whatever I would wear normally and get about very well thank you and yes if some days I wear f*$@ off heels, so what?
(…)
In Sydney, we do cycle chic our way, we’re not Copenhagen after all, but the aim is absolutely the same.
To show how the bicycle can be “an integral, respectable and feasible transport form, free of sports clothes and gear, and how it can play a vital role in increasing the life quality in cities.”

Eu já o tinha dito antes – cada blog Cycle Chic, tem uma abordagem própria da cultura local. E do mesmo modo, Portugal não é nem como a Dinamarca, nem como a Austrália. Somos portugueses! Mas o objectivo final de todos, é promover a utilização da bicicleta como algo natural – sem complicações, sem stress, sem roupas ou equipamentos especiais!

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Mas ao dizer isto, muitos depreendem que há aqui um “ódio de estimação” a quem usa lycra ou capacete ou outro equipamento especial para andar de bicicleta. Não há! A opção editorial de não publicar imagens com gente assim equipada prende-se com o blog em si – chama-se Cycle Chic. Se fosse um blog chamado “Downhill Extreme” ou “Cycle Speed Racer”, as opções editorias seriam outras…

Eu uso equipamento especial para andar de bicicleta, quando vou fazer “ciclismo desportivo” (seja de estrada ou fora dela). Quando estou a utilizar a bicicleta como meio de transporte, no dia-a-dia, uso a mesma roupa que utilizaria se fosse a pé ou de automóvel.

Tento também que as fotos tenham alguma qualidade – como já disse, pretende-se aqui promover o uso da bicicleta – e isso não se consegue com imagens “feias”. Infelizmente, as minhas capacidades fotográficas não me permitem ter um trabalho de excelência – há quem o faça muito melhor do que eu! Mas faz-se os possíveis. Do mesmo modo que as contribuições que recebo, embora muitas vezes não tenham uma qualidade excepcional, tento fazer algum tratamento de imagem para as melhorar. Há outras, que simplesmente não preenchem os requisitos, e acabam por ficar de fora – ou a fotografia em si é muito fraquinha, ou a qualidade de imagem não permite melhorias (muitas vezes, fotos de telemóvel). Mas agradeço a todos igualmente – permitam-me é que mantenha o meu direito a escolher o que publico ou não no blog..

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Agora equipados ou não… vão mas é pedalar!

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17 Respostas a “Cycle Chic? Mas isso é o quê?

  1. Jorge Filipe diz:

    Só vos desejo é toda a sorte do mundo para quando cairem nos vossos passeios do dia-a-dia não batam com a cabeça no chão. Infelizmente vivemos num País onde o capacete não é obrigatório mas depois de acontecer queixam-se… de dores. E queixarem-se é bom porque há uns que já não se queixam, pelo menos nesta vida…

    • Só vos desejo é toda a sorte do mundo para que quando ande no seu carro no do dia-a-dia não tenha um grave acidente já que andar de carro é uma das maiores causas de mortes e acidentes no mundo em que a probabilidade de sofrer uma lesão na cabeça é superior do que numa bicicleta – estudos demonstram. Infelizmente vivemos num país onde onde o carro (ainda) é rei.

  2. Miguel diz:

    Obrigado pela preocupação, mas sugiro já agora, que leia bastante sobre o assunto – pode começar pelos links que coloco aqui na coluna do lado direito, da European Ciclysts Federation. Ou pelos artigos onde abordei a questão (se é que ainda não o fez): http://www.lisboncyclechic.com/?tag=capacete

    E por favor não diga infelizmente… depois de ler sobre o assunto, creio que entenderá porquê.

    Cumprimentos, e boas pedaladas!

  3. Paulo Aroeira diz:

    Andar de bicicleta sem capacete, não é nenhum drama, pelo contrario, a maior parte dos capacetes que vejo são de qualidade muito, muito duvidosa, assim sendo criam uma falsa sensação de segurança, tanto para o “rider” como para os outros utilizadores da via publica.
    Cair, podemos cair a andar a pé, quando estamos sentados, cair da cama, etc.
    Concordo com o uso do capacete em utilização desportiva, pessoalmente utilizo-o quando em maratonas, provas de estrada, etc. pois as velocidades são muito diferentes, os objectivos tb.
    O “commuting”, é uma maneira de estar, ir para o trabalho, ou ir às compras,…., com calma, ficarmos bem dispostos, olhar e ver o que nos rodeia, etc.

    Boas pedaladas

  4. Lagarginga Sintra diz:

    Boas, para já merecem SER SEMPRE premiados pela SORTE, é sempre difícil organizar alguma coisa, e quando alguém o faz deve ser apoiado, pelo menos deviam agradecer e não por defeitos (é o que o pessoal sabe fazer melhor), quanto ao andar sem capacete para o que é sugerido não necessita de capacete, no entanto quem quiser poderá faze-lo (penso eu).
    Quanto as afirmações atrás descritas, parece-me desconhecer as variantes de ciclismo (desde ciclismo urbano, passeios organizados até ao de alta competição), parabéns aos organizadores.
    Lagarto da ginga

  5. Lagarginga Sintra diz:

    À, também vou lá estar.
    Cumprimentos
    Lg

  6. Luis Filipe diz:

    Se algum dia a utilização de capacete em Portugal fôr obrigatória das duas uma…..ou deixo de andar de bicicleta ou começo a pagar multas.
    Ando de bicicleta á 40 anos, a bicicleta fez parte da minha juventude como se de uma extenção do corpo se tratasse; não há nada neste mundo como poder andar de cabelos ao vento :-)) e sentir aquela sensação de liberdade que só a bicicleta produz. Não Não não !!! capacete não !! mas tambêm licras, pés presos, camisinhas justas NÂO !!!!! o prazer da bicicleta está em de repente apetecer-me dar uma voltinha e só ter que pegar na bicla e voar…..ter que me preparar….mudar de roupa…ir á procura do capacete…..apertar o capacete….sentir o peso, a pressão NÂO !! Andar de bicla com capacete é o mesmo que andar no verão com botas e blusão de penas !
    Mas como não quero passar uma mensagem irresponsável, obviamente que para outros tipos de utilização de risco mais elevado, corrida, mountain bike, outras maluqueiras e claro para quem não sabe andar bem de bicicleta ……SIM SIM SIM o uso do capacete é obrigatório !!!

    Abraço e bons passeios a todos

  7. Pedro diz:

    é um site para utilizadores de bicicletas não só ciclistas,nem só o Loeb é que anda de carro…e é um site dos bons.keep up

  8. manuel diz:

    …eu acho que:

    Nascer é perigoso. Respirar é perigoso. Comer é perigoso. Ter medo é perigoso. Não ter medo é perigoso. Escrever é perigoso…

    O melhor é não fazer nada porque tudo é perigoso!

    E se Deus quisesse que andássemos de bicicleta tinha-nos dado capacetes!

    UMK7? UTK7NCDL! (em alentejano)

    POr isso vou a PÉ E DE CAPACETE!

    MAS VOU!

  9. […] Uma manhã para celebrar a bicicleta como meio de transporte, de Lisboa ao Estoril. Não é um evento desportivo, mas um passeio de bicicleta descontraído pela Marginal. Assim, não é requerido qualquer equipamento para praticar “ciclismo” ou desporto em geral. Dentro do estilo próprio de cada um, não se exige nenhum código de vestuário – clássico, casual, alternativo… a escolha é sua, mas sempre no espírito Cycle Chic. […]

  10. Teresa Lopes diz:

    Já fui abordada na rua várias vezes perguntando-me pelo capacete. Eu expliquei que não era obrigatório. Um dia na empresa onde trabalho (apenas 2 usamos a bicicleta como meio de transporte) perguntaram porque não usava capacete: mostrei o joelho arranhado e expliquei que quando caio apenas aleijo os joelhos e as mãos. Então eu devia usar joelheiras e luvas!! Se vamos considerar todos os perigos o melhor é usar armadura….
    Pessoalmente prefiro usar chapéus e boinas a capacetes. Miguel tenho uma foto tirada com o telemóvel com o meu cão (labrador) de capacete ao pé da bicicleta. A qualidade não é grande coisa, quer que envie para alegrar estas opiniões??
    Teresa

  11. Carlos Aboim diz:

    Parabéns pelo excelente trabalho! E já agora tambem ando de bicicleta no meio do transito à 30 anos e nunca precisei de capacete!
    Abraços a todos

  12. […] Uma tarde para celebrar a bicicleta como meio de transporte, na cidade de Lisboa. Não é um evento desportivo, mas um passeio de bicicleta descontraído pelas ruas da capital. Assim, não é requerido qualquer equipamento para praticar “ciclismo” ou desporto em geral. Dentro do estilo próprio de cada um, não se exige nenhum código de vestuário – clássico, casual, alternativo… a escolha é sua, mas sempre no espírito Cycle Chic. […]

  13. Vítor Caramelo diz:

    Olá a todos!
    Gostaria de deixar uma sugestão…em vez de gastarem o latim na treta do capacete, poderiam antes dar umas lições de civismo/boa conduta aos automobilistas, para que estes se apercebam que ” Em Portugal está a emergir uma Nova Geração do Pedal”. Na estrada quando circulo de bicicleta, estou preocupado é com a falta de atenção dos automobilistas,vão sempre andando e empurrando contra o passeio ou bloqueando contra as viaturas estacionadas, especialmente em Lisboa. Com um automovel de uma tonelada não há capacete que resista.
    Num comentário anterior ” Testemunho”, já expus algumas ideias sobre as realidades entre Portugal e outros países.
    O que nos falta a nós Portugueses, só nos vai chegar daqui a uns anos, ou seja, é os automobilistas serem (ou terem sido) também ciclistas, só assim “sentem” as dificuldades/necessidades de quem pedala. A maioria das pessoas só pensam no seu próprio nariz e naquele momento,de repente mudam os seus interesses e até já dizem o contrário do que diziam.
    Já anteriormente partilhei a minha experiência de ter vivido um tempo em Itália, país bonito onde pedalei muito e unicamente no estilo ” Cycle Chic”.
    Lá, há pessoas de todas as idades, classes sociais, etnias,e condição física, todos esses pedalam lado a lado e não me lembro de ver nenhum acidente envolvendo bicicletas. Todos andam com a roupa e o equipamento do dia-a-dia, são às centenas, e não me lembro de ter visto alguém de capacete, excepto, os que andam de BTT ou de bicicleta de estrada, estes sim, usam todo o tipo de equipamento, fazem plutão, etc.
    Lá, as pessoas que usam a bicicleta no dia-a-dia, não se preocupam com questões bócótós, tipo; devo ou não usar capacete?, devo ou não sair da bici para atravessar a passadeira?, devo ou não andar no passeio?,devo ou não atravessar o sentido proibido?.Lá as pessoas fazem tudo como se fossem a pé. Ver uma bella ragazza de fazer “parar o trânsito” a circular numa bici toda ferrugenta com os farois partidos e o portátil no cesto da frente ou uma senhora com setenta e tal anos com o netinho na cadeirinha da bici é o “pratinho do dia”. Cá, já viram destas coisas?
    Estas criticas e dúvidas não se trata de mais nada senão da falta de hábito de uma nova realidade, que felizmente está a acontecer em Portugal. É bom que falem e que vão comentando, é sinal que se interesam. A opinião de todos é importante.
    Resumindo e só para “abardinar” a conversa:
    Se és “Chic” e gostas, junta-te a nós, não é obrigatório.
    Se não gostas,não tem problema, vai para o club dos depilados.
    Mas façam-me um favor, PEDALEM TODOS!!!!!

  14. Miguel diz:

    Belo testemunho Vitor… não queres enviar uma foto a ilustrar o mesmo, para eu o publicar? Obrigado!

  15. catia ribeiro diz:

    Bom dia. Eu vim viver para Lisboa recentemente e desloco-me frequentemente a pé (Lisboa é pequena, a distância entre o meu emprego e a minha casa é de cerca de 2km’s,..) por isso decidi ir a pé. Mas comecei a ponderar a bicicleta, pois torna-se mais rápido chegar a todo o lado e com isso talvez até algumas das distâncias de metro ou autocarro fossem desnecessárias. Contudo tenho duas dúvidas (receios) enormes: 1) eu vivo num bairro tipico de Lisboa de calçada que me obriga a subir ou descer sempre, onde quer que vá. Para ir trabalhar faço 2 km’s sempre a subir, algumas partes do trajecto com declives muito acentuados. 2) Vivo no epicentro de Lisboa, em que por vezes turistas, artistas de rua e carros ocupam o mesmo espaço.
    Com isto pergunto: vale a pena “sonhar” em ter uma bicicleta e em deslocar-me em bicicleta em Lisboa, no meu dia-a-dia, ou para quem não é um ciclista experiente não é uma opção sensata? Começo como? É possível arranjar um buddy para os primeiros dias, peço a um amigo ao fim-de-semana que me mostre como se faz? Há ruas a evitar?
    Obrigada

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