Petição “Alteração do Código da Estrada reforçando direitos de ciclistas e peões”

Não tenho por hábito fazer posts neste blog, fora do âmbito do mesmo. Mas aqui na coluna da direita, tenho alguns links para campanhas que apoio. Uma delas, é a petição que visa alterar o código da estrada, que hoje em dia tão pouco protege os mais fracos. Muita gente advoga que andar de bicicleta é perigoso, e que para o efeito devemos protegermo-nos ao máximo com soluções que não concordo (capacetes, cores vivas, etc). Na realidade, andar de bicicleta per si, não tem grandes riscos, e por isso advogo que para andar de bicicleta, apenas precisamos de uma bicicleta – roupas e equipamentos especiais de corrida, ficam para as práticas desportivas e radicais. A questão para mim, não deve ser obrigar os ciclistas (e peões) a tomarem medidas para se protegerem, mas sim obrigar os automobilistas a tomar medidas para não colocarem os restantes utilizadores da via pública em risco.

Mas o risco existe, por parte dos automobilistas que teimam em não respeitar os outros utilizadores das estradas. Se tivermos um código da estrada que realmente protege os mais fracos, que force os condutores a ter atitudes mais responsáveis, então estaremos certamente mais seguros, sem necessidade de culpar os acidentes por falta de acessórios discutíveis – é triste quando se culpam as vítimas.

1º Código da Estrada, 1928 – fonte Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária

São algumas as alterações que seriam bem vindas ao código da estrada, e que melhorariam não só a segurança de quem anda de bicicleta, como dos peões (e consequentemente, dos restantes utilizadores das estradas). Há já alguns documentos elaborados, para quem tenha mais interesse no assunto.

Mais ambicioso, seria introduzir o princípio da hierarquia invertida da responsabilização civil (ou inversão do ónus da culpa, strict liability em Inglês), para uma mais efectiva protecção dos mais frágeis. Este conceito, tem como ideia defender os utilizadores mais fracos nas vias públicas, ditando a responsabilidade pela perda ou dano, independentemente da culpa.  A implementação desta medida, aumenta a reponsabilidade de quem conduz veículos, na proporção da sua dimensão!

Em vários países da Europa isto já é norma, e noutros tem sido alvo de grande discussão. Por cá, o blog Menos Um Carro, já falou sobre o assunto umas tantas vezes, mas parece ser uma ideia muito avançada para a nossa cultura lusitana.

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E depois, divulguem-na entre os vossos contactos

Massa Crítica de Setembro

Setembro tem sido quase sempre o mês em que mais gente costuma aparecer. Este ano não foi excepção, e conseguiram-se juntar cerca de 230 pessoas. Ficou um pouco aquém das expectativas, mas talvez o céu cinzento tenha assustado quem não se dá bem com a chuva. A contrastar com este tempo, esteve a animação e boa disposição do costume, que tão bem caracterizam este evento. Fui pela primeira vez com a família, e todos adoraram – ao ponto de os mais pequenos não quererem abandonar o cortejo quando chegou a altura. Mas tinha de ser…

Como sempre, uma Massa Crítica com muito estilo e sem stress… à boa maneira Cycle Chic!

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Marquês Down Tunnel

Na passada noite de 21 para 22, integrado nas actividades do Dia Mundial Sem Carros, o famoso túnel do Marquês (o local mais poluído de Portugal), foi encerrado ao trânsito, e aberto a veículos sem motor – skates, patins, trotinetes… e claro bicicletas! No site da associação que organizou o evento, a Ideia Veloz (em colaboração com a CML), podia-se ler:

Acreditamos que há outras formas de nos movermos nos meios urbanos.
Acreditamos que é possível usar meios de transporte mais ecológicos.
Acreditamos que uma vida em Lisboa mais calma, limpa e sustentável é possível.

Foi uma noite com um feeling especial… muito boa disposição e adrenalina de sobra (não esquecer que o túnel, tem uma secção cuja inclinação é de 9%). Foi uma noite de pura diversão, onde as culturas e subculturas urbanas se reuniram numa festa. Não ouve conflitos, não houve acidentes graves – apenas muita gente a celebrar de uma forma diferente.

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O António Cruz, esteve lá com o seu sempre fantástico Sound System a animar as hostes (tenho mesmo de melhorar o meu – além de tocar baixinho, a meio da noite já não tinha baterias). Valeu-lhe o prémio do “eco-veículo mais original”. Um dia em grande para o António, que à tarde já tinha sido galardoado com um Prémio Nacional “Mobilidade em Bicicleta” da FPCUB.

No final, depois de já ter descido duas vezes com o meu “autocarro” a velocidades que o Radar não deixaria passar impunes (ooops), fiz a descida com muita calma, e acompanhado por mais gente, numa de style over speed. A filmagem não é grande coisa, mas dá para ter uma (muito pequena) ideia do ambiente que por lá se vivia: